(Tom Bloch)
era a imitação da vida com paredes falsas
o coração batendo preso na tomada
mas um dia a casa cai
já caiu a fase
um dia o resto vai
depois de traçar o seu plano e tentar ser humano
só esqueceu de como sair do personagem
mais um dia a casa caie fica exposto o homem
que nesse dia vaivai voltar a viver
e o coração bate outra vez
bate outra vez
era a explicação da vida de quem vê de fora
conhece tudo olhando o mundo da janela
mas um dia a casa cai
se alguém forçar a porta
acho que o resto vai
vai voltar a viver
e o coração bate outra vez
bate outra vez
mas um dia a casa cai
já caiu a fase
agora o resto vai
vai voltar a viver
e o coração bate outra vez
bate outra vez
terça-feira, 10 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
A santidade deve ser preservada
Aluna foi expulsa por gestos e atitudes, diz Uniban
"Em um comunicado publicado no jornal O Estado de S. Paulo de domingo, a Uniban informou ter decidido expulsar Geisy 'em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade'".
Claro. E os princípios e as atitudes dos alunos foram extremamente acadêmicos.
Depois me perguntam porque eu tenho orgulho de não ter diploma universitário de nenhuma das profissões que exerço ou exerci.
"Em um comunicado publicado no jornal O Estado de S. Paulo de domingo, a Uniban informou ter decidido expulsar Geisy 'em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade'".
Claro. E os princípios e as atitudes dos alunos foram extremamente acadêmicos.
Depois me perguntam porque eu tenho orgulho de não ter diploma universitário de nenhuma das profissões que exerço ou exerci.
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Nunca pensei que um dia daria razão ao Lobão em qualquer coisa, mas ele estava certo: o rock errou. Constatação feita após ver o show do Iggy Pop no Planeta Terra.
Errou não porque Iggy é um velhinho que foi ao palco dar exatamente o que esperávamos dele, como uma refeição por quilo ou um filme do Michael Bay. Iggy é, sim, um monstro, cujas canções (algumas delas, bem entendido) não têm prazo de validade, e não é porque ele tem 60 e tantos anos que ele não pode ser rock’n’roll pra caralho. O problema é que sejam apenas os tiozões da música os únicos capazes de soar rock’n’roll pra caralho.
Não vamos nem debater aquele conceito de “rock’n’roll enquanto rebeldia” que esse papo já é meio datado desde que Elvis foi pro exército, e nunca mais voltou (quer dizer, voltou alguém, talvez a cria do Coronel Parker, mas não o Elvis do rebolado perigoso e da energia libidinosa). Mas você já pensou que, quando você precisa lembrar de canções roqueiras fudidas, você precisa voltar, no mínimo, uns 15 anos no tempo? Para ser bem generoso.Quando você quer aquela energia bruta capaz de te perverter, capaz de fazer você se sentir vivo, fazer você ter desejo de enrabar a vida até ela gozar pelo cu, você recorre a uma música do, sei lá, Franz Ferdinand? (tosse, pigarro) Ou a alguma do Klaxons? (engasgo)
Não dá, né?
Então por que parecemos estar todos estagnados? Em algum momento no passado, a paudurescênscia da alma se fez riff – e parou por naqueles idos. Nunca mais uma rock song conseguiu traduzir esse anseio.
OK, vez ou outra, você escuta uma grande canção que, mesmo sem o peso rítmico bruto, te desconstrói por completo. Tipo “The Wrestler”, do Bruce Springsteen. Ih, mas o Boss também tá no time dos veteranos. Fodeu.
O show começou e eu estava lá, feliz e saltitante com “Raw Power”, “Search and Destroy” (e cada berro de “somebody gotta save my soul” que saía da minha boca vinha de algum lugar muito pertinente de mim que eu não consegui identificar. Seria alma?). Mas eu percebi que alguma coisa estava errada quando, no meio de “Loose”, eu percebi que não sentia vontade de encaixar meu pau no primeiro orifício disponível, orgânico ou não. Veja que essa foi uma música que eu nunca escutava no carro porque eu tinha certeza que, desacompanhado, eu acabaria tentando foder o radiador ou o escapamento – o que teria conseqüências catastróficas para minha saúde sexual. Mas enquanto Iggy entoava “I’m stickin’ deep inside”, eu só pensava em ir mijar e achar um canto mais sossegado para ver o show.
“Velho”, já ouço vários de vocês dizendo. Ou melhor, xingando.
(Aliás, parênteses: temos um culto tão doentio com a ideia de juventude eterna, que “velho” passou a ser xingamento. Triste, isso. Fecha parênteses).
Pode ser xaropice minha. Ou até excesso de emoção, já que eu estava vindo de um dia excepcionalmente bom, no qual eu recuperei coisas que julgava perdidas (como a minha relação com a minha família, por exemplo). Vai que eu estava tão êxtase por causa disso que tudo o mais seria anticlímax. Mas duvido. Eu não estava conseguindo me emocionar com aquilo, mesmo achando bom.
(Sim, bom mesmo. James Williamson tem um feeling absurdo na guitarra e o sax foi mais que bem-vindo. O batera era burocrático, mas ainda assim, o resultado final era forte. E a versão de "The Passenger" me lembrou porque todas as bandas de casa noturna que tentam tocar esta música soam pífias. Só com Iggy esses versos fazem sentidos - pode chorar, Dinho Ouro Preto.)
Era impossível a emoção. Sim, gosto de Stooges pra caralho. Mas não eram eles que eu estava vendo lá. Eu estava vendo cinco operários da música (dois deles, a cara do Roger Waters) trabalhando duro para dar o que os “compradores” (não vou usar “clientes”) queriam. Iggy tem que tumultuar o palco? Então dá-lhe maçaroca de gente durante “Shake Appeal”. Queremos vê-lo brincar de símbolo sexual? Dá-lhe microfone brandido como falo, bunda de fora e versos entoados de quatro durante “I Wanna Be Your Dog”.. Consolidar a imagem de loução? Iggy botou a piroca pra fora no último segundo de show. E todo mundo aplaudiu. Eêêêêê!
Claro que o povo ia aplaudir. Foram lá para isso. Ou melhor, foram lá para filmar e fotografar, e postar isso no YouTube ou Orkut, para ter a sensação de viver depois. Porque viver na hora, não é todo mundo que consegue. Só consegue quando conta depois pros outros. E quem consegue... bem, não faltava gente vestida como se estivesse indo para a Pachá, e esitvesse Iggy ou o Jota Quest no palco, a vibe seria a mesma. Mas esses, reconheço, eram exceção.
Acho que o motivo do meu “não-curtir” o show está, na verdade, aí. No público. Eu vi a cara da minha geração, e acho que não gostei. Sim, a área VIP (benesses profissionais) estava tomada por todas aquelas garotas maravilhosas que eu nunca vou comer. Povo de pele perfeita, designer clothes e comportamento estereotipado. Aí vou dar um refresco fora do VIP e... encontro o mesmo público. Todo mundo bem criado, bem vitaminado e gastando 200 paus só no ingresso (mais transporte, “combustíveis”, e etc) só para tentar um pouco de diverso por umas horas. Melhor que pagar essa grana em impostos ou remédios, é verdade. Mas um povo bonitão pela beleza em si. Uma beleza que não é saúde (é a geração Rivotril, afinal de contas. Ou a geração diet paranoia), nem felicidade (além do Rivo, psicanálise, drogas como única forma de recreação e “liberação sexual” por obrigação). Uma alegria que funciona em qualquer coisa e qualquer lugar, basta ter o combustível certo e a grana para comprar. Porque gente querendo vender não falta. Iggy tava vendendo. É um grande vendedor, e entregou exatamente o que pedimos. Beleza. Mas até aí, qualquer astro do breganejo faz a mesma coisa. Dá o que seu público espera, e se escora na sua história gloriosa para justificar a ausência de um presente digno. Só que em vez de “iôiôiô” ou “sai do chão”, a palavra de ordem era “fuck”.
E esse público comprador, esse pessoal da felicidade comprada no cartão, aplaude uma pica. Acha rock’n’roll pra caralho mostrar a genitália. No final do chão, Iggydeixa entrever o pau como senha para consagração.
Sei lá, mas um público que delira tanto só de ver um falo tem que ter falhado feio em alguma parte de sua essência.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Meu primo, o filósofo
Roubado de um e-mail do causídico Tiago Vinhas ainda hoje:
"Acho que um exame de sanidade simples e barato é fazer o cidadão ler o livro do Gênese. Se o brother achar alguma coisa ali plausível (note que não precisa se convencer de que é factual ou algo assim), internação imediata."
Só não digo "genial" porque a plavra anda desgastada pelo mau uso. Dizem até que Marcelo Camelo é gênio...
"Acho que um exame de sanidade simples e barato é fazer o cidadão ler o livro do Gênese. Se o brother achar alguma coisa ali plausível (note que não precisa se convencer de que é factual ou algo assim), internação imediata."
Só não digo "genial" porque a plavra anda desgastada pelo mau uso. Dizem até que Marcelo Camelo é gênio...
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Ai! - parte 2
Texto escrito por minha amiga Carol em seu mais que recomendável blog. Ela é meio zelosa com o que escreve e divulga o blog a pouquíssimas pessoas (menos de cinco). Pedi, e ela gentilmente me autorizou a postar isso aqui.
O repertório de horrores do qual a raça humana é capaz não cessa de se renovar, como disse, com quase essas palavras, Ana Maria Bahiana.
E se fosse sua irmã?
Manhã de quinta-feira, eu estou sentada em um banco, o ônibus vai para o morumbi, mais um dia de trabalho.
“Ah…eu também. E o Nada é Por Acaso, você leu?”
”Nossa,li sim. Realmente,tudo tem uma razão pra ser. Depois que eu li, passei a concordar com a Igreja naquele caso da menina de 12 anos que foi estRupada e engravidou. As pessoas da lei queriam que ela abortasse, mas a Igreja foi contra, nenhuma religião aceita. Eu vi no livro que quando a mãe aborta, o feto vai para o lugar dos rejeitados. Fica lá, alguns sem perna, sem braço, deformados. A gente pensa que o bebê só tem alma quando nasce, mas não, desde que o óvulo encontra o esperma, surge a alma. O espírito tenta vir até a mãe aceitar. Tem caso de bebês rejeitados oito vezes, e ficam lá, cada vez mais deformados, esperando. Nada acontece por acaso, se a menina foi estRupada, é porque tinha que ser, tinha que passar por isso, a criança não tem culpa, o espírito precisa encarnar, as coisas não acontecem ao acaso”
Quase levantei e pedi para o motorista parar o ônibus que eu queria desencarnar. Declaro o começo da campanha “enfie o seu deus no cú”. Seu deus é filha da puta? Você enche o saco de pobres cidadãos inocentes com blá blá blá pseudo-religioso-cruel-nojento? Pegue a porra do seu deus, abra o cu e sente. Ninguém é obrigado a ouvir que a menina tinha que passar pelo estRupo – claro, estupro é outra coisa -, e é obrigada a ter um bebê. Tô sem saco para a liberdade de expressão, se deus existisse e não fosse babaca, um terço da humanidade não teria língua. Jesus, dai-me paciência.
O repertório de horrores do qual a raça humana é capaz não cessa de se renovar, como disse, com quase essas palavras, Ana Maria Bahiana.
E se fosse sua irmã?
Manhã de quinta-feira, eu estou sentada em um banco, o ônibus vai para o morumbi, mais um dia de trabalho.
“Ah…eu também. E o Nada é Por Acaso, você leu?”
”Nossa,li sim. Realmente,tudo tem uma razão pra ser. Depois que eu li, passei a concordar com a Igreja naquele caso da menina de 12 anos que foi estRupada e engravidou. As pessoas da lei queriam que ela abortasse, mas a Igreja foi contra, nenhuma religião aceita. Eu vi no livro que quando a mãe aborta, o feto vai para o lugar dos rejeitados. Fica lá, alguns sem perna, sem braço, deformados. A gente pensa que o bebê só tem alma quando nasce, mas não, desde que o óvulo encontra o esperma, surge a alma. O espírito tenta vir até a mãe aceitar. Tem caso de bebês rejeitados oito vezes, e ficam lá, cada vez mais deformados, esperando. Nada acontece por acaso, se a menina foi estRupada, é porque tinha que ser, tinha que passar por isso, a criança não tem culpa, o espírito precisa encarnar, as coisas não acontecem ao acaso”
Quase levantei e pedi para o motorista parar o ônibus que eu queria desencarnar. Declaro o começo da campanha “enfie o seu deus no cú”. Seu deus é filha da puta? Você enche o saco de pobres cidadãos inocentes com blá blá blá pseudo-religioso-cruel-nojento? Pegue a porra do seu deus, abra o cu e sente. Ninguém é obrigado a ouvir que a menina tinha que passar pelo estRupo – claro, estupro é outra coisa -, e é obrigada a ter um bebê. Tô sem saco para a liberdade de expressão, se deus existisse e não fosse babaca, um terço da humanidade não teria língua. Jesus, dai-me paciência.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Hurra Torpedo - "All The Things (S)he Said"
Trazido ao meu conhecimento por Daniel Ferraz, xamã das possibilidades de alegria frívola, eis o Hurra Torpedo, verdadeiramente "o futuro do rock" - que é parte do passado, claro, pois a banda sumiu há dois anos.
Mas que é do caralho, isso é.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Mala Suerte
Olha só que beleza:
Tá, desconta o Popstars Acid Killers, que está entre as coisas mais medíocres que o universo produziu desde o Sérgio Mallandro. Mas é La Carne, Gruvox e Folhetim Urbano no mesmo palco. Festa ou não?
Pena que esse puto do Flavio agita isso pro ÚNICO final de semana de novembro que eu não posso sair do Estado. Compromissos familiares inadiáveis com a parte da família que importa.
Mas qualquer outro ser com vergonha na cara vai ter que estar lá.
Tá, desconta o Popstars Acid Killers, que está entre as coisas mais medíocres que o universo produziu desde o Sérgio Mallandro. Mas é La Carne, Gruvox e Folhetim Urbano no mesmo palco. Festa ou não?Pena que esse puto do Flavio agita isso pro ÚNICO final de semana de novembro que eu não posso sair do Estado. Compromissos familiares inadiáveis com a parte da família que importa.
Mas qualquer outro ser com vergonha na cara vai ter que estar lá.
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