Dizem que, com 30 anos, neguinho pára e repensa à vida. Moleque que sou, comecei a passar por esta "crise" aos 31. Bem que dizem (e é fato) que nasci atrasado.
Mas a verdade é que eu não preciso recorrer a todo um contexto pessoal para dar uma pausa nesse blog. O que acontece - e é fato - é que eu sou bem sou noção às vezes, e torno público o que é particular demais. Em outras, misturo fatos pessoais com broncas, preconceitos e ficção, e atinjo quem não devia com o que não passa de brincadeira.
(E em outras vezes sou deliberadamente escroto mesmo, cometendo aleivosias muito bem pensadas. Mas isso, infelizmente, é raro. Embora seja divertidíssimo quando acontece)
O fato é que é bom eu dar um tempo de escrever por aqui. Digamos que são "férias mentais" - até porque, como ando atormentado por uma dor xarope nas costas, não é todo dia que tô de bom humor e fica fácil então transformar esse espaço num amontoado de chorumelas e diatribes - que é o que nunca prentendi que fosse.
Continuo no Churrasco na Laje e devo assumir uma participação mais... direta (ia dizer "ativa", porém deixaria margem para piadas prontas) no Bound Brazil, porque são dois blogs que, além de melhores que este (sem falsa modéstia), são espaços para os quais meu filtro de escrita é mais claro (se eu vier com ranzinze egomaníaca lá, sou gongado na hora). Mas aqui vai rolar uma pausa. Clipezinho aqui, outro ali, uma historinha de show pra rolar talvez apareçam. Não contem muito com isso, entretanto.
Mas não acabou não. Uma hora volta.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Boas razões para se assistir à Death Proof
Vanessa Ferlito.
Trilha sonora absurda de boa.
O macho sendo desconstruído na égide de Kurt Russel.
Vanessa Ferlito.
Meu primo falando: “eles colocaram uma mina num capô de um carro para se masturbar com o vento”.
Uma mina num capô de um carro se masturbando com o vento.
Zoë Ball, baranga completa, tornando-se desejável ao masturbar-se com o vento no capô de um carro.
Uma perseguição de carros (incluindo um Dodge Challenger 1970) que realmente surpreende – e empolga até quem não ta nem aí para carros.
Sua namorada(o)/cônjuge não vai querer assistir junto. Se quiser, é garantia de uma “pós-sessão” devassa e bastante movimentada.
Ponta das Crazy Babysitter Twins.
Rose McGowan pagando de hippie suja.
Earl McGraw.
Os vincos no rosto de Vanessa Ferlito.
Três mulheres surrando um homem enquanto o sangue dele jorra.
Homenagens descaradas a Herschell Gordon-Lewis e Russ Meyer.
O fato do filme parecer um disco do Cramps, só que embalado majoritariamente por soul e r&b.
Vanessa Ferlito com shortinho de biscate de vila.
Várias garotas com shortinho de biscate de vila – e que conseguem ser mais dignas que qualquer biscate de vila.
Tarantino auto-indulgente e desavergonhado colocando todos os seus fetiches, obsessões e paranóias em um filme comercial e de grande orçamento.
Os lábios da Rosario Dawson
Os lábios da Vanessa Ferlito.
Aquela guria fantasiada de cheerleader.
A mesma menina, cantando "Baby, It's You".
Citações a Kill Bill.
Vanessa Ferlito sendo aproveitada em celulóide de um jeito que certamente nunca mais será.
Trilha sonora absurda de boa.
O macho sendo desconstruído na égide de Kurt Russel.
Vanessa Ferlito.
Meu primo falando: “eles colocaram uma mina num capô de um carro para se masturbar com o vento”.
Uma mina num capô de um carro se masturbando com o vento.
Zoë Ball, baranga completa, tornando-se desejável ao masturbar-se com o vento no capô de um carro.
Uma perseguição de carros (incluindo um Dodge Challenger 1970) que realmente surpreende – e empolga até quem não ta nem aí para carros.
Sua namorada(o)/cônjuge não vai querer assistir junto. Se quiser, é garantia de uma “pós-sessão” devassa e bastante movimentada.
Ponta das Crazy Babysitter Twins.
Rose McGowan pagando de hippie suja.
Earl McGraw.
Os vincos no rosto de Vanessa Ferlito.
Três mulheres surrando um homem enquanto o sangue dele jorra.
Homenagens descaradas a Herschell Gordon-Lewis e Russ Meyer.
O fato do filme parecer um disco do Cramps, só que embalado majoritariamente por soul e r&b.
Vanessa Ferlito com shortinho de biscate de vila.
Várias garotas com shortinho de biscate de vila – e que conseguem ser mais dignas que qualquer biscate de vila.
Tarantino auto-indulgente e desavergonhado colocando todos os seus fetiches, obsessões e paranóias em um filme comercial e de grande orçamento.
Os lábios da Rosario Dawson
Os lábios da Vanessa Ferlito.
Aquela guria fantasiada de cheerleader.
A mesma menina, cantando "Baby, It's You".
Citações a Kill Bill.
Vanessa Ferlito sendo aproveitada em celulóide de um jeito que certamente nunca mais será.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
The Resort
Resenha do filme aqui.
Sei que o cartaz tem cara de coisa da Brasileirinhas, mas a verdade é que o ACM puxou o filme para o lado daqueles sexploitation setentões, com direito à "Armed and Dangerous" na trilha.
Retrô, exagerado e tesudo. Ou seja, clássico instantâneo.
Sei que o cartaz tem cara de coisa da Brasileirinhas, mas a verdade é que o ACM puxou o filme para o lado daqueles sexploitation setentões, com direito à "Armed and Dangerous" na trilha.
Retrô, exagerado e tesudo. Ou seja, clássico instantâneo.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
No CCSP
Centro Cultural São Paulo faz mostra sobre as inspirações de Quentin Tarantino
Entre outros, Thirller, A Cruel Picture, clássicos de Sergio Leone e John Ford e uma penca de obscuridades imperdíveis.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Sobre minha terra
Sou taubateano, nascido e criado na cidade. Mas nunca entendi muito bem quem proclama ter "orgulho de ser taubateano". Ou paulistano, iguaçuense, jordanense, brasileiro, sul-africano...
É estranho ter orgulho de algo pelo qual você não tem mérito algum. Você só nasceu - e foi criado - em determinado lugar porque sua família decidiu que assim seria. Não é uma escolha pessoal.
Dito isso, digo que não tenho mesmo orgulho de ser taubateano. Fico feliz por ter crescido na cidade e tive dias bons por lá, mas visito pouco (não fosse a família, visitaria menos ainda), fico poucos dias quando vou e faço o possível para não surgir sequer a possibilidade de morar lá. Já vivi o que tinha que viver na cidade, creio.
Como também já tive minhas cotas em Campos do Jordão e Foz do Iguaçu, e estou cumprindo a cota de São Paulo (como diz um já falecido jornalista gaúcho: "São Paulo é como o serviço militar, uma hora a gente tem que cumprir").
Fico feliz de ter passado por todas essas cidades, ter experimentado a vida de lá e conhecido tudo o que tive a oportunidade de conhecer e vivenciar por lá. Mas não posso negar que Foz é um pedaço da minha vida que eu conservo com carinho especial. Costumo dizer que, se Campos é a cidade onde aprendi a viver (melhor: é a cidade onde comecei a viver), Foz é onde deixei de ser moleque e fui ver quem era aquele sujeito que começou a aparecer na Serra da Mantiqueira. Fui morar sozinho, fazer uma boa cota de bobagens (ou merda mesmo), me divertir pra cacete, cultivar e desmatar paixões, aprender os extremos da vida desregrada e da vida doméstica, comer pra cacete, negar Deus e fazer mais um monte de coisas. Até colher mandioca.
Esse trajeto pela Tríplice Fronteira me deu amigos (de "curta" e de "longa" duração), desafetos (bem mais do que eu imaginava ser capaz de conseguir), parentes por adoção, uma esposa e um cão. E um grande volume de memórias que cultivo com uma mistura de nostalgia e distanciamento que me parece bastante agradável.
Enquanto fico colhendo os frutos de uma vida radicalmente diferente aqui em SP - uma colheita que estou longe de poder quantificar - às vezes me assaltam as lembranças de dias que só podem ser revisitados na memória. Não faz muito sentido voltar para Foz, do mesmo jeito que não faz sentido voltar para Taubaté e provavelmente não voltarei para São Paulo depois que sair daqui. Aquilo já ficou para trás, e eu não sou a mesma pessoa que pegou um ônibus rumo ao extremo oeste do Paraná em 2005. A vida pode até ser feita de ciclos, mas eles certamente não se formam no sentido inverso.
Essas lembranças vem com um carinho que raramente consigo expressar. É uma região muito complexa, sempre tentei escrever sobre ela e nunca o fiz de modo que me contentasse. Mas felizmente há quem saiba exprimir o que só existe etereamente, como ideia. Nesta matéria, um jornalista dá conta de mostrar o que é aquela região. Fiquei de cara, por três motivos: 1) pelo lado pessoal, tema desse post; 2) por ser uam grande reportagem, em um tempo em que elas estão cada vez mais escassas; e 3) por ser da Rolling Stone Brasil, uma revista para lá de chôcha.
As lembranças vieram, e às vezes fico pensando se Foz é um lugar real mesmo. E chego à conclusão que é real, como foi real aquele moleque taubateano que foi desmamar por lá. Ele - eu - era real. Mas hoje restam lembranças etéreas. Que me alegram.
Sou taubateano. Mas quando hoje as pessoas me perguntam se eu sou de Foz (e sempre me perguntam, pelo menos, se sou do Paraná), nem me incomodo de desfazer o engano.
É estranho ter orgulho de algo pelo qual você não tem mérito algum. Você só nasceu - e foi criado - em determinado lugar porque sua família decidiu que assim seria. Não é uma escolha pessoal.
Dito isso, digo que não tenho mesmo orgulho de ser taubateano. Fico feliz por ter crescido na cidade e tive dias bons por lá, mas visito pouco (não fosse a família, visitaria menos ainda), fico poucos dias quando vou e faço o possível para não surgir sequer a possibilidade de morar lá. Já vivi o que tinha que viver na cidade, creio.
Como também já tive minhas cotas em Campos do Jordão e Foz do Iguaçu, e estou cumprindo a cota de São Paulo (como diz um já falecido jornalista gaúcho: "São Paulo é como o serviço militar, uma hora a gente tem que cumprir").
Fico feliz de ter passado por todas essas cidades, ter experimentado a vida de lá e conhecido tudo o que tive a oportunidade de conhecer e vivenciar por lá. Mas não posso negar que Foz é um pedaço da minha vida que eu conservo com carinho especial. Costumo dizer que, se Campos é a cidade onde aprendi a viver (melhor: é a cidade onde comecei a viver), Foz é onde deixei de ser moleque e fui ver quem era aquele sujeito que começou a aparecer na Serra da Mantiqueira. Fui morar sozinho, fazer uma boa cota de bobagens (ou merda mesmo), me divertir pra cacete, cultivar e desmatar paixões, aprender os extremos da vida desregrada e da vida doméstica, comer pra cacete, negar Deus e fazer mais um monte de coisas. Até colher mandioca.
Esse trajeto pela Tríplice Fronteira me deu amigos (de "curta" e de "longa" duração), desafetos (bem mais do que eu imaginava ser capaz de conseguir), parentes por adoção, uma esposa e um cão. E um grande volume de memórias que cultivo com uma mistura de nostalgia e distanciamento que me parece bastante agradável.
Enquanto fico colhendo os frutos de uma vida radicalmente diferente aqui em SP - uma colheita que estou longe de poder quantificar - às vezes me assaltam as lembranças de dias que só podem ser revisitados na memória. Não faz muito sentido voltar para Foz, do mesmo jeito que não faz sentido voltar para Taubaté e provavelmente não voltarei para São Paulo depois que sair daqui. Aquilo já ficou para trás, e eu não sou a mesma pessoa que pegou um ônibus rumo ao extremo oeste do Paraná em 2005. A vida pode até ser feita de ciclos, mas eles certamente não se formam no sentido inverso.
Essas lembranças vem com um carinho que raramente consigo expressar. É uma região muito complexa, sempre tentei escrever sobre ela e nunca o fiz de modo que me contentasse. Mas felizmente há quem saiba exprimir o que só existe etereamente, como ideia. Nesta matéria, um jornalista dá conta de mostrar o que é aquela região. Fiquei de cara, por três motivos: 1) pelo lado pessoal, tema desse post; 2) por ser uam grande reportagem, em um tempo em que elas estão cada vez mais escassas; e 3) por ser da Rolling Stone Brasil, uma revista para lá de chôcha.
As lembranças vieram, e às vezes fico pensando se Foz é um lugar real mesmo. E chego à conclusão que é real, como foi real aquele moleque taubateano que foi desmamar por lá. Ele - eu - era real. Mas hoje restam lembranças etéreas. Que me alegram.
Sou taubateano. Mas quando hoje as pessoas me perguntam se eu sou de Foz (e sempre me perguntam, pelo menos, se sou do Paraná), nem me incomodo de desfazer o engano.
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