Clark Kent tira os óculos, desabotoa a camisa e... continua sendo Clark Kent. Na sua busca por tornar-se o Superman, ele virou a kryptonita de si próprio.
Sua superaudição não filtra a música muito alta, que o vai ensurdecendo para sons externos mas não cumpre o propósito de abafar seus próprios pensamentos. Sua supervisão está cada vez mais turva, já que ele decidiu permanecer cego para tudo que ele não queria ver. E ao seu redor, há muitos motivos para ser cego.
Ele voa baixo, porque alto é perigoso demais, e ele pode ser visto, e como se defender se aí alguém tentar derrubá-lo?
Clark não tem vilões a culpar a não ser ele mesmo. Ele quis salvar o mundo dele de todos os seus problemas: órfão de um mundo perdido e infelizmente não esquecido chamado cristandade, ele veio a esse planeta com uma missão: agradar. Ser Bom. Bom para ele e para todos.
E ele é Bom. Ele descobriu que não precisa se tornar o Superman para sê-lo, bastam umas esmolas, um comportamento correto, o agrado. Até que um dia ele descobriu, como Gregor Samsa, que ele era um inseto. Sem patas, sem ventre abobado e tracejado, sem emitir gosma – porque ele é bem limpinho e se veste bem. E quando morrer, ele não será varrido para dentro do cesto de lixo. Ele vai ser colocado em um cesto de lixo de madeira, numa lixeira cara de concreto, pelo qual a descendência inútil dele terá que pagar manutenção.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
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Um comentário:
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