quinta-feira, 30 de abril de 2009

"If I could change the world..."

Outra brincadeira textual. Bobinha, escrevi faz um mês mais ou menos. Mas tá aí.



Se eu pudesse mudar o mundo, o planeta seria um lugar tiranizado. Claro, ele seria à minha imagem e semelhança, e eu certamente não me vejo como um tirano, mas seria o “meu” mundo, e de mais ninguém.

Uma terra sem obesos, pobres, gente choramingando, broxas ou mulheres que não querem dar para mim. Meu mundo não teria atrasos nos dias de pagamento, não teria pessoas mortas de maneiras estúpidas demais para parecerem realidade, como aquelas pessoas que morrem atropeladas por dementes bêbados ou barbarizadas por criminosos enlouquecidos. Meu mundo não teria momentos de dor intensa e aparentemente insuportável.

Seria um lugar sem comida de má qualidade, com uma educação muito decente baseada no que eu considerasse noções de bom ensino e cultura decente. claro. O que quer dizer um mundo farto de utopias ironicamente vonnegutianas sem a tragédia no final, onde a música pop reinasse sem soberania, deixando um espaço para o jazz e o folk. Admiradores de Kenny G seriam levados para campos de concentração e submetidos à penosa reeducação. A pena para o “não-aprendizado” seria a morte.

Nesse planeta idílico, todos os motoristas se lembrariam de dar seta antes de mudar de faixa, ninguém comeria de boca aberta e os celulares não teriam ringotnes personalizados. Ou melhor, nem existiria esse aparelho. As pessoas se dariam ao trabalho de falar, tolices inclusive, mas nada que ferisse os ouvidos. Você não seria obrigado a ouvir pessoas comentando a unha de uma apresentadora de TV ou as “conquistas” da vida pessoal da Angélica. A Narcisa Tamborindeguy seria muda. Aliás, as socialites não existiriam.

Falando nisso, será que existiram as classes sociais na Terra de Leonardo? Claro que sim, mas baseadas em arcaicas noções herdadas de uma era hippie que eu não vivi. Os pobres seriam malacamente interessantes, e, como eu recebi uma doutrinação “algo de esquerda” em colégios particulares, haveria uma elite forçada a reconhecer que a cultura de “raiz” se produz em meio ao povão, que sempre seria mais safado e interessante. Hm. Melhor não. As coisas já são assim nas novelas de TV.

Haveria patrões e empregados, mas os primeiros não encheriam o saco dos útlimos. E não haveria ameaça de inferno, para que ninguém fosse hipocritamente gentil. Seria um mundo onde eu contaria com o bom senso de cada um para não foder com a paciência alheia. Ou seja, um mundo onde chefe nenhum ousaria desagradar ao chefe supremo: Eu, vulgo Deus.

Haveria muito menos gente nesse planeta, e as pessoas teriam “controle de natalidade” como um lema de vida. Todos adotariam cachorros em vez de ter filhos. Você pode pensar que seria um mundo muito canino, mas seria menos mundo cão do que é hoje. Além do que, você sempre pode contar com os rebeldes por natureza. Sempre ia ter um casalzinho pentelho querendo ser diferente e parir um rebento.

Todo mundo gosta de dizer o que faria “se pudesse mudar o mundo”. A verdade é que se nós pudéssemos mudar o mundo, ele continuaria sendo uma merda, mas uma merda com a nossa cara. A gente não faria muito melhor que Deus, não. Aliás, se você pensar bem, o que ele faz é um tanto egoísta, não é não?

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