Enquanto eu comia uma goiaba (comprada no mercado municipal de Taubaté, via meu "fornecedor" de Redenção da Serra) e dava um tempo na correria do trampo, fui fuçando nas sobras (arquivos) do Churrasco. E achei essa pérola, do nem sempre paciente mas sempre certeiro André ZP. Conejcturas minhas a respeito do tema aparecem um dia desses, mas como disse o personagem de Edward Norton em A Outra História Americana: quando puder use palavras dos outros, porque tudo que você quer dizer provavelmente já foi dito por alguém, e melhor.
É fácil pro vegan manter-se fiel à sua ideologia. Ele vai até o Pão de Açúcar do Jardins, vai jogando no carrinho tudo que tem o selo “orgânico”, paga a soma total de 57 reais (um brócolis, dois maços de alface, meio quilo de tomate e, com sorte, umas duas beringelas) com seu mastercard gold.
Gozado, eu que não sou veg-nada, costumava ir à horta comprar direto do produtor. Ainda costumo, quando estou na minha cidadezinha natal. O tiozinho da horta é gente boa, já me conhece. Um maço de alface: 50 centavos. Um maço de agrião: 50 centavos. Cenoura, couve, até pimenteira o filhadaputa tem. Orgânico? “Que merda é essa?”, é capaz do tiozinho perguntar. Lá não tem agrotóxicos porque não precisa. Os tomates não são grotescamente gigantescos, como nos super-mercados. Eles são pequenos, vermelhos, vivos, e tem gosto de macarronada da vó. Esse tio da horta também vende galinha. “Galinha caipira”. Não frangos anabolizados. E você compra viva. Tem que matar, depenar e limpar sozinho, pra depois jogar na panela. Nada de bandeijinhas de mercado. É a vida simples do interior, coisa que poucos vegans tiveram a chance de experimentar, pois nasceram, viveram e provavelmente vão morrer em condomínios fechados. Azar.
Essa diatribe é só pra falar que desisti de fazer feira em São Paulo. Tentei, durante cinco anos. Mas desisti. Das três feiras do meu bairro (uma quarta, uma sábado, uma domingo), todos os produtos têm o mesmo preço do super-mercado. E são todos do mesmo distribuidor. Ou seja, uma merda. Aquela alface minúscula. Aquela couve murcha. Aquele tomate claro e sem gosto. Com uma galera descolada, tatuada e com roupa de jogging, comprando com orgulho seu pepino. PRA ENFIAR NO CU.
Então, que se foda. Já que é pra comer merda, como a do mercado. Que pelo menos passa no crédito, no difícil final de mês. E compro as merdas envenenadas mesmo. Fazer o que? Não vou pagar cinco vezes mais numa alface “orgânica”. Orgânico de cu é rola. Lá na “minha” horta não tem dessas viadagens. E o tiozinho de lá vende pelo mesmo preço na feira de domingo, no seu stand improvisado com caixotes, porque é o que ele planta. Não igual aos donos de mercadinhos de São Paulo que tem a barraca na feira pra fazer um troco extra aos domingos. Assim, quando vier com o papinho de “mundo sustentável”, pensa no que você tá pagando a mais no seu “orgânico”. Eu to pagando cinquenta centavos o maço pro tiozinho que me conhece. Sem intermediário. Só eu, o tiozinho e a última rodada do paulistão. E você? Tá pagando quanto? E pra quem?
terça-feira, 5 de maio de 2009
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2 comentários:
Genial.
nada contra, mas o fato é que hitler era vegetariano e antitabagista radical.
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