(escrevi este texto depois de um fim de semana em SESCs e CCSPs da vida. Foi tão deletério que acabei por esquecer as circunstâncias mais exatas, mas achei que, com um tapa aqui e ali, cabia no blog, mesmo sem lembrar detalhes pontuais. Até porque nada do que está contado aqui mudou)
Depois de passar um fim de semana mergulhado entre os “expoentes de minha geração” – cineastas, quadrinistas, escritores, músicos e um bom tanto de bem-nascidos anônimos que não fariam feio em nenhuma propaganda impressa ou televisiva – fiquei de novo preso e assustado pela ideia de vazio, um vazio inexorável, inescapável, parte da essência e...
Findo o drama, vamos aos fatos. Eu tenho 31 anos, o que quer dizer que esse povo que está entre uns 28 e 33, mais ou menos, pode ser chamado de “minha geração”. Você já parou para prestar atenção no que esse pessoal faz? Não estou falando do trabalho deles, mas de seus atos mesmo – porque o emprego importa muito menos do que a maneira como você se comporta dentro dele.
Pois é. Todos tão zumbis consumidores quanto os fãs de Faustão, só mudam os produtos. Meus “iguais” são pessoas que medem sua “qualidade de vida” pelo poder aquisitivo. Como diz minha amiga Carol, é gente que fica se fudendo às vezes quinze horas por dia em um trabalho que não gosta para poder passar umas quatro horinhas no fim de semana na companhia de “amigos” que podem compactuar do mesmo gosto deles por bares caros e comidas exóticas.
Meus ”iguais” cresceram com a pornografia e as drogas (farmacológicas, psicotrópicas, alcoólicas...) como ícones de realização. Chegamos todos ao materialismo prático sem termos necessariamente nos tornado ateus – ou todo aquele papo de signos, auras, energias e não sei o que mais é o que, senão uma fé, difusa como a ideia de um ser que tudo vê e tudo rege?
Sair da igreja (isso é antigo) e deixar de crer nos desígnios divinos como razão para as coisas foram das melhores coisas que me aconteceram, mas existe algo – que pode ser simplesmente uma área pouco exercitada da mente – que faz com que você aspire a coisas um pouco melhores do que acordar para enfrentar o que vier. Eu acredito, sim, em viver apenas um dia por vez, mas isso não quer dizer que este dia tenha que ser uma merda e eu tenha que me resignar porque às vezes tudo dá errado mesmo. Tem mais por ser feito. Por mim mesmo. E pelos outros também, por que não?
A pieguice e a inconsistência do que eu escrevi até aqui se justificam pela minha vontade de buscar em mim mesmo algo melhor que o niilismo que ameaça tomar conta desde que vim para São Paulo. Aqui tudo é tão imediato (e imediatista) que tem horas em que eu me esqueço que a maioria das coisas simplesmente são – e que devem ser percebidas ou assimiladas com seu devido tempo.
Esqueço-me disso, claro, porque todo mundo também esquece. Porque os meus “companheiros de geração” só sabem beber, gastar e fuder, tudo como ato reflexo. Uma obrigação sem alegria, um prazer sem alegria. Que não tem a ver com estar

3 comentários:
Não sei se isso é exclusivo de SP, mas confesso que noto uma diferença BRUTAL no modo de vida argentino e o brasileiro das grandes cidades.
Essa parte que vc falou que nego se ferra no trabalho 15hs por dia só pra depois pagar de gourmet no fds com uns amiguinhos é muito real. Eu ando com saco muito cheio dessa onda gourmet. São vinhos, cervejas, queijos, tudo com muita viadagem, quando o que eu quero mesmo é "pasarla bien" e encher minha barriga sem frescura.
engraçado lendo esse teu texto anterior lembrei de uma das primeiras músicas do oaeoz, nunca lançada oficialmente, que tinha letra do igor e música minha, e cujo "refrão" dizia:
"eu faço parte de uma geração sem vontade/eu faço parte de uma geração covarde"
tem uma garrafa de vinho aqui. vc trás outra? quando quiser, brother. abraço.
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