quinta-feira, 7 de maio de 2009

Comidinha de c... é r...

Já há um tempo veio a mania de se referir a aperitivos, salgados e quejandos pelo genérico “comidinhas”. E virou um termo tão corrente que até sessão da insuportável Veja São Paulo leva esse nome. Restaurantes enviam releases e apresentam orgulhosamente suas “comidinhas”.
Acho ridículo um adulto constantemente se referir ao que quer seja no diminutivo, e nesse caso é especialmente irritante. Primeiro porque os preços desses lugares nada têm de diminutos. Segundo porque comidinha de cu é rola. Cresça e seja adulto, meu amigo! Dê-se ao respeito – ou assuma sua tolice e comece a conversar aos silvos e com vozinha fina.

Na esteira, vem ainda os blogs de gastronomia. Todo profissional de comunicação que trabalha em SP é crítico gastronômico, já notou? Fica escrevendo suas resenhas sobre restaurantes que mal cabem em seus bolsos, debatendo suas cervejinhas importadas com ares de entendido e postando seus desfiles gastronômicos para impressionar quem os lê.

Eu venho de uma família humilde. Por estudo e por oportunidade, pude apreciar coisas que minha família não pôde me dar (e muitas que ela me deu. Minha família é humilde, mas não mesquinha). Acho ótimo poder experimentar uma comida diferente, uma cerveja pouco comum, um bom vinho. Melhor ainda se todos puderem fazer isso. Só não vejo isso como algo para ser exibido. É algo pelo qual ser grato à vida. Mas quando o prazer é sobrepujado pelo orgulho e pela necessidade de afirmação social... Bom, só posso lamentar, né? E ainda colocam seus comentários arquivados sobre os tags “comidinha” e “bebidinha”. Que venham beber o suco da minha bolsa escrotal! (mas não publiquem resenhas depois)

Basicamente: não vou menosprezar um Beaujolais que caia em minha mesa. Mas nem por isso vou esquecer que um Trapiche resolve bonito a coisa. Ou que na companhia de um amigo que vale a conversa, pouca diferença faz se o bar tem Antártica ou Leffe. E se um dia vocês me pegarem me bravateando às custas desse tipo de experiência, caprichem no xingamento. Eu vou merecer.


Dito isso, aviso que é hora desse blog voltar à mesa. Quer dizer, de eu voltar. Sempre coloquei uma receita, alguma bobagem culinária ou um bom prato, em blogs anteriores. Mas como aqui em SP vi que essa história de blog de comida é uma coleção de exemplares da pobreza de espírito de uma raça falida, achei bom esclarecer que a coisa aqui não irá por esse lado. O fato de ter efetivamente trabalhado como jornalista gastronômico no último ano me proporcionou conhecer vários lugares, de todas as qualidades. E o fato de ter um salário não mais do que correto (e que ainda por cima atrasava) garantiu que eu almoçasse e jantasse bem mal por aí. Quem precisa comer nos restaurantes por quilo e padarias-que-servem-PF da capital paulistana sabe do que eu estou falando.
Então decidi ir deixando impressões passadas e presentes por aqui. Eu gosto de falar sobre comida e bebida. Gosto mais ainda de comer e beber, então quem quiser continuar a conversa num restaurante, bar, lanchonete, padaria ou carrinho comeu-morreu, é só me convidar que eu vou.

5 comentários:

Túlio disse...

nossa, faz tempo que penso a mesma coisa. a galera anda com frescura demais com comida, puta merda.

que encha a pança e cale a boca! basta de ficar se orgulhando de se tornar tudo gourmet: vinho, chocolate, coxinha e até mesmo cerveja!

Eu adoro essas "comidinhas", mas prefiro chamar de "baixa gastronomia"! Um bife sujo ou um X-Montanha lá em CTBA é sinônimo disso.

Ivan disse...

já leu "A última casa de ópio"? muito bom. o cara também espinafra esse esnobismo gastronômico. agora em relação aos diminutivos, vc não ia gostar do Vinícius então. ahaha o poetinha.

Anônimo disse...

ora, não deixe de postar receitas. troque a tag "comidinha" por "comida de macho".

e tem muito pf bom e barato por sampa, aqui do lado é um exemplo. por 6 reais vc mata um comercial com calabreza muito firmeza (pq "muito honesto" é coisa de blog comidinha de viado)

Anônimo disse...

Muito interessante o que vc escreveu. Nunca tinha pensado nisso. Concordo. O carrinho comeu-morreu me tirou uma gargalhada! rs
bjs

Ivan disse...

quem nunca comeu o "churrasco completo" e tomou um chopp preto no bar mignon na XV não sabe o que é felicidade