segunda-feira, 27 de julho de 2009

Chao, Manu!*

Já gostei muito de Manu Chao. Gostei - e gosto, ainda - muito mais do Mano Negra, uma banda que, para mim, é uma inspiração. Era música com uma energia bruta, através da qual a tal "pluralidade musical" funcionava às mil maravilhas, e não se assemelhando à alguma macumba pra turista. Depois o cara saiu em carreira solo, fez um disco super bom (Clandestino, de 1999) e, depois disso, começou a lançar um disco pior que o outro e a virar arroz-de-festa em qualquer manifestação classe-média--consciente terceiromundista.

O resultado é que hoje, quando penso nele, tenho que forçar a cabeça para trazer as imagens bacanas dele saltando no clipe de "King Kong Five" ou alguma outra coisa que não remeta a algo como a cena acima. Manu sentado, com uma militante discursiva e mal-comida qualquer, fazendo "música para despertar". Despertar quem, boi dormido?

O golpe de misericórdia na minha boa vontade com o sujeito veio com essa notícia publicada no site da Rolling Stone argentina. Outro disco/DVD ao vivo, outra vez revisitando o mesmo repertório de sempre (que já foi explorado em trocentos discos "semi-oficiais" que ele lança por aí, fora o oficial Radio Bemba Sound Sytem), com todas as músicas tocadas no mesmo tom, alternando os mesmos dois ou três acordes em ritmo de "ska pa-tum-pa-tum-pa" ou em reggaezinho chocho pra tentar lubrificar vagina de maconheira. Um horror.

Caralho, Manu, cadê o pique ao vivo de quinze anos atrás? Cadê aquela musicalidade simples e matadora do Mano Negra? Anos atrás, quando falávamos em sua falta de senso de ridículo, o resultado era bom. Agora...


(* tá, puta título infame, eu sei)

Um comentário:

Anônimo disse...

"ou em reggaezinho chocho pra tentar lubrificar vagina de maconheira" é a melhor frase que li esse mês.

não manjo nada mano chao/negra, mas agora entendo porque tinha a estranha sensação de que todas as músicas do chao eram iguais. É tipo um grande medley então?